Estava eu a confabular com os meus botões, de como as pessoas se modificam ao assumir determinados cargos públicos. Aí logo me veio a história (ou estória) do compadre Elpídio, caboclo velho da zona rural .
Dizia ele, entre um trago e outro (da "mardita") na birosca do Zé Curuba, enquanto passava giz no taco do bilharito, saiu-se com esta: -Sabem a Firmina, aquela uma, filha da comadre Cota ?.. -é ela agora quem manda entrar ou não, para falar com o chefe da cidade, exercendo a autoridade que lhe foi conferida. -A Firmiiiiiiiina? , perguntou meio que espantado e com ar de zombeteiro, o João do Ovo , também morador das paragens. -Verdade!, continuou o nosso narrador, que trazia a alvissareira notícia. Todos naquele momento deixaram de se interessar pela partida , quando já haviam consumido duas garrafas de "boa ideia", aprochegaram-se ao colega. -Como tu sabe disso Pipi ? -perguntou o Canjica, tomando à frente dos demais. -Foi assim, -continuou Elpídio : "-eu saí daqui um dia desses às 3 da madrugada, e resolvi ir até ao centro, para falar com o "homi" e "proguntar" pra ele, sobre quando ele vem aqui de "nuvo", pra resolvê o "pobrema" do ramal e da nossa ponte, "cunforme" ele prometeu há 7 "ano" ". -Ao chegar no Palácio -continuou Elpídio - abri a primeira porta, -dei de cara com com ela, a Firmina, que me olhou e fez que não me reconheceu. -Arrisquei um ôi, e ela do alto de sua "artoridade" (vestida com o bonito uniforme, igual às outras secretárias), apenas balbuciou um "bom-dia !". -Quiz eu ainda me apresentar, dizendo que era o Pipi, aqui da vila Esperança e, que tinha viajado duas "hora" no lombo do animal e mais quatro de remo. -Ela sempre atendendo o telefone, apenas me apontou um duro banco, onde já se "cumprimiam" umas 20 "pessoa". -Da hora que cheguei (8 hora), contei uns 10 que entraram "impalitozado", na nossa frente -que eram recebidos pela Fifi, com beijinhos e um enorme sorriso aberto. -Já passava de meio-dia e apenas 3, daqueles consolados espectadores do banco, tinham entrado pra "resovê seus pobrema" e pela cara deles , vi logo "que levaram cano". -A fome começou a "roer as tripa " e eu resolvi forrar com alguma coisa, lá fora. Desci e peguei o primeiro "tula" que encontrei pela frente com caldo-de-cana. -Após uns vinte minuto "vortei". - Chegando, não vi mais ninguém daquela turma que estava antes esperando, comigo. Logo pensei: -agora é minha vez. Após mais meia e nada de me chamarem -perguntei ao zelador que varria a sala. -Cadê aquele pessoal todo que estava aqui ? -Foram todos "diapensado", já acabou o expidiente. -Confesso que senti doer a velha úlcera e jurei nunca mais botar os "pé" ali.
-E a Firmina ? -perguntou interessado o "cumpadi" Maneco. -Nunca mais "viela", apenas deu pra enxergar, quando ela entrava no "carona" de um carrão escuro , olhou-me parecendo dizer, "Xô caipira". -Nisso se antecipa o "cumpadi" João do Ovo e disse: -É "cumpadi" Pipi, ela já não se lembra do tempo da roça, quando era apenas a Fifi Capoeirinha. -Todos nós caímos na gargalhada, e "deixemo" o boteco do Zé Curuba, indo cada um pro seu canto, naquela madrugada fria de inverno entre os valões cheios d´água e lama até as canelas, e tal "bêbados equilibristas", sobre a ponte despencando que nunca foi reparada. -Ainda deu tempo de ouvir o "cumpadi" Maneco gritar já adentrando o escuro caminho de sua morada: -"Eles inda vem aqui cum nós. Mas só levam os cento e pouco voto da comunidade, se dobrar o preço, fiado nunca mais! -Agora os "importante", semos nós !".
Meses depois, na birosca do Zé Curuba, passaram algumas pessoas, fixando uns cartazes onde dizia : "Dê importância ao seu voto. Quem compra, não tem compromisso com você."
Elpídio, que era uma espécie de líder comunitário, exclamou: -Nós pode até ficar sem o dinheiro. Mas voto "nasquelas inscondição, eles num vão ter mermu !".
LINO LINE
Desejo exportar a matéria Na Onda do Oba, Oba
segunda-feira, 6 de junho de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
QUEM PAGARIA A CONTA?
Se acaso imaginassemos um modelo político, em que grupos se harmonizassem e via de regra, comungassem do mesmo pensamento e ideal, cujo propósito seria o entendimento mútuo, visando unicamente, a permanência duradoura no Poder.
Poderia ocorrer muita solidariedade entre os particiapantes, porém poderia acontecer falta de propostas e ações verdadeiras em favor de uma comunidade. Tais ações poderiam ser direcionadas ao bem-estar de um povo,que poderiam ser postergadas e esquecidas, refletindo uma sociedade que não avançaria cultural e nem econômicamente. Nestas circunstâncias, como poderia progredir sem haver um planejamento objetivo? Como avançar sem ações relevantes e concretas? O que esperar de um modelo que traduziria a estagnação?
No cômputo geral,quem mais se ressentiria era aquele que necessita de trabalho e não encontra. Que almeja água de boa qualidade e iluminação em sua rua que lhe daria segurança.Que clama por por seus direitos. Enfim, aquele que desejaria viver com dignidade -sendo ele que paga toda a conta e muita das vezes não obtém a contrapartida -num suposto e perverso sistema de compadrio.
Poderia ocorrer muita solidariedade entre os particiapantes, porém poderia acontecer falta de propostas e ações verdadeiras em favor de uma comunidade. Tais ações poderiam ser direcionadas ao bem-estar de um povo,que poderiam ser postergadas e esquecidas, refletindo uma sociedade que não avançaria cultural e nem econômicamente. Nestas circunstâncias, como poderia progredir sem haver um planejamento objetivo? Como avançar sem ações relevantes e concretas? O que esperar de um modelo que traduziria a estagnação?
No cômputo geral,quem mais se ressentiria era aquele que necessita de trabalho e não encontra. Que almeja água de boa qualidade e iluminação em sua rua que lhe daria segurança.Que clama por por seus direitos. Enfim, aquele que desejaria viver com dignidade -sendo ele que paga toda a conta e muita das vezes não obtém a contrapartida -num suposto e perverso sistema de compadrio.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
UMA SELEÇÃO NECESSÁRIA
Se determinados cidadãos de Sta. Izabel do Pará usassem do bom senso, logo verificariam que para ser político, isto é, representar um município com cerca de 60 mil habitantes, é necessário que ele tenha um preparo intelectual, educacional , acima da média dos demais habitantes, seja este cargo para a Câmara de Vereadores ou para pleitear uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Como aceitar indivíduos que não reunem o mínimo desses requisitos básicos, a elaborar e interpretar leis ou criar projetos relevantes, com base nas prioridades e necessidades do município ?
O resultado prático aí está : não se tem conseguido avançar em políticas públicas em ambas as Casas e perde o povo, com o apoio que se dá exdruxulamente a candidatos de outras plagas, que aqui aparecem virtualmente, levando os votos dos nossos conterrâneos e acaba ninguém se elegendo, para representar esta terra .
Enquanto não observarmos (ou não quisermos observar) tais pontos de vista, nosso município continuará a reboque de Castanhal, Ananindeua e de outros mais, sem chances de denvolvimento e sem ultrapassar a barreira de cidade dormitório.
Isto é verdadeiramente lastimável.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Novo Conflito no Campo
Depois da lastimável tragédia em abril de 1996 em Eldorado dos Cara-jás ,onde foram mortos 19 sem-terra e o assassinato de Irmã Doroty, o Pará volta às paginas sagrentas, desta feita no município de Xinguara que já resultou em vários camponeses baleados.
Deus, salve o nosso Estado de tantas barbáries!
Deus, salve o nosso Estado de tantas barbáries!
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